Derrubando o ego
“Seu comercial de TV não me engana
eu não preciso de status, nem fama
seu carro e sua fama já não me seduz
e nem a sua puta de olhos azuis”
“O ego é foda”. Ouvi essa frase de um ex-chefe muito gente fina coisa de 6 anos atrás, mas acho que só hoje consigo entender o que ele realmente queria dizer. Quando eu era jovem e comunista, achava que seria possível atravessar os anos que viriam pela frente imune ao aliciamento do sistema. No entanto, à medida que você envelhece, percebe que determinados comportamentos tidos como “idealistas” são contraproducentes para se dar bem no jogo, por mais coerentes e racionais que sejam.Vou tentar dar um exemplo prático: você recebe uma proposta para ganhar o dobro no trabalho, desde que abra mão de metade do tempo livre antes dedicado a seus prazeres pessoais. Há quem diga que optar pela promoção pode ser um sacrifício temporário em prol de uma conquista permanente no futuro. Sem dúvida é. Pode-se, por outro lado, criticar quem prefere viver o hoje? Se você aceita a promoção, ótimo; se nega, sabe que vai ouvir merda de tudo quanto é lado (“você é jovem, pode trabalhar bastante”, “como abriu mão desse dinheiro?”). A pressão, além de social, também é individual, e é aí que entra o ego: você acaba entrando na lógica do sistema e punindo a si mesmo por contrariá-la (“será que sou preguiçoso?”, “vou jogar minha carreira no lixo”). São duas escolhas legítimas e perfeitamente racionais – uma delas, no entanto, é mais legítima que a outra aos olhos da nossa sociedade. O capitalismo desumaniza as pessoas, não só pela exploração, mas também pela maneira como as faz pensar segundo as regras do próprio capitalismo. Vejo essas reportagens mostrando homens e mulheres enlouquecidos em busca de currículos perfeitos, rejeitando inclusive coisas naturais como ter filhos em prol de suas carreiras. Hmmm. Hoje, aos 25, continuo jovem (acho) e comunista (tenho certeza), mas descobri que a cooptação não vem sob a forma de iPod ou Playstation 3. Espero chegar aos 50 com o desapego daquele meu ex-chefe, pra também poder dizer: “o ego é foda, mas temos que controlá-lo se não quisermos nos tornar pessoas vazias e cheias de si”.
Uma bosta que tenhamos (mais por pressão social que por nossas vontades) que entrar na dança das cadeiras do sistema.
Beijo nocê, Panda!
O ego é realmente foda.
eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama, eu sou o fruto do negro drama