Aqui estou mais um dia.

Lá da árvore

Posted in Literatura by Shepones on 04/03/2010

O homem atravessava dias e noites analisando o movimento sob seus olhos.  Não se sabia quem era, o que fazia exatamente, nem mesmo como lograra sobreviver em sua inquebrantável solidão, mas todos que por ali passavam acostumaram-se a serem por ele observados. Fitava a todos, indiscriminadamente: os olhos não os encarava, é claro, mas isso não lhe cessava a qualidade de poder extrair de quaisquer dos transeuntes detalhes inenarráveis de suas vidas. Não ligava para os jornais ou para as complicações mundanas vividas por aquelas pessoas.  Tampouco buscava condescendência ou aproximação. Vivia no cume de uma árvore. Lá do alto, dezenas, centenas, milhares de anos foram transpostos para um caderno de folhas beges e empoeiradas, onde desde tempos imemoriais registrava o resultado de suas ponderações.  Pelo que fora documentado, alguns comportamentos observados eram inatos,  ao passo em que outros foram surgindo ao longo do tempo. Havia ainda uma terceira categoria, cujos registros descreviam as outrora imponderáveis consequências das duas primeiras. Constatou o autor das mal-traçadas que os analisados careciam de empenho para solucioná-las. A estas, então, foram reservadas as últimas páginas do anedotário.

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Uma resposta

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  1. Sarah said, on 04/03/2010 at 21:46

    Zaqueu!


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